O dia-a-dia normal de 1 anormal
Um blog pra quem gosta de ler coisas legais e estar ligado nos fatos da web
sexta-feira, 9 de março de 2012
A INTIMIDADE PRECISA SER BEM CUIDADA
Os tempos mudaram, é verdade, mas a ideia de um casal (jovem ou velho), com compromisso sério ou nem tanto, ser displicente com aparência na intimidade é muito triste.
De modo geral, tanto homens como mulheres, no início de seus relacionamentos, costumam dar "aquela caprichada" no visual. Eles não poupam esforços para ficarem mais atraentes. Nessas horas vale tudo:
Roupas íntimas novinhas, depilação em dia, perfume, sabonete cheiroso. É o momento do investimento. As mulheres não fogem a regra, até as que podemos definir como "mais desencanadas" querem no fundo sentir-se atraentes. Batom, rímel, lingerie ousada, sapatos de salto, perfumes, qualquer coisa é útil quando se está interessada em alguém. O gostoso disso é que somos todos iguais. Afinal, a preocupação com a estética faz parte do jogo da sedução. Com o tempo, à medida que aumenta a intimidade, a relação vai perdendo a cerimônia e diminui a preocupação do casal com a estética.
O difícil é entender que se isso faz parte da vida para que tanta propaganda, métodos e produtos para melhorar a aparência? Será que é só para dar conta dos "sem-compromisso"? Pouco provável. A intimidade que traz conforto para o espírito, sentimento de proteção e mais um monte de coisas boas para o relacionamento, pode também ser a grande vilã em muitos relacionamentos. A maioria das mulheres quando deixa uma relação estável precisa refazer sua gaveta de roupas íntimas. Em geral, só tem peças gastas e sem charme. Com os homens é a mesma coisa. Será que é preciso esperar uma separação para que eles começam a dar importância para aparência, comprar roupas novas e entrar em dieta?
Apesar de estranho, a intimidade faz os casais perderem o pudor, até que passam a ficar em casa de qualquer jeito. Aceitar que isso acontece passa a significar uma prova de amor, mas não é.
De alguma forma, os casais se esquecem do que faziam antes para agradar o companheiro. Esquecem-se dos banhos intermináveis, de escovar os dentes toda hora para ficar com o hálito fresquinho e de andar sempre cheiroso. Quem acha que pensar nisso é bobagem pode acabar levando um grande susto. Com medo de ofender, nem sempre o parceiro fala o que pensa. Aí um dia, sem mais nem menos, recebe um comunicado: "Fui". Para quem acha que vale a pena mudar o final do filme é bom estar sempre pronto para uma alteração de roteiro. Para isso, seguem algumas dicas:
• Relação nenhuma sobrevive a bafo de onça, chulé, cecê e outras coisas mais: A higiene pessoal tem que estar sempre em dia. Vale a pena gastar com sabonete, desodorante, pasta de dente e etc. Afinal, nesse roteiro, nada tem hora para acontecer.
• Roupas íntimas sempre em dia. Alças, calcinhas ou cuecas: largas, manchadas, encardidas, judiadas ou sem combinar devem ser jogadas no lixo. Só para lembrar, dizem as más línguas que os homens detestam lingerie bege.
• Se trocar de roupa para ficar em casa: Não vista a mais velha, furada ou super larga! Coloque uma confortável, mas que lhe caia bem. Imagine que um ex-namorado ou uma ex-namorada pode a qualquer momento tocar a campainha. A última coisa que qualquer um ia querer ouvir é: "Nossa, ainda bem que não deu certo”.
• Preserve a sua intimidade: Usar o banheiro os dois ao mesmo tempo só se for para tomar banho junto ou passar creme no corpo, para as outras coisas o melhor é fechar a porta.
• Quem usa camiseta ou pijama para dormir cuidado, com o tempo o que era uma graça fica um terror: Mulheres com mais de 30 anos de pijama com motivo infantil ou homem com o pijamão xadrez não estão livres de receber um PT (Perda Total) do companheiro. Não precisa cair no sexy, às lojas estão cheias de pijamas confortáveis e modernos.
De resto, é sempre bom lembrar: Para que dure, uma relação precisa além do amor e respeito de uma boa pitada de sal. Use bem a intimidade e divirta-se!
Lícia Egger Moellwald
Consultora na área de Treinamento Corporativo e doutoranda em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Masturbação Mental (Fraguimentos)
E resolvi ouvir um som bem diferente pra poder mudar o gosto.
Indigesto!
E me peguei assobiando aquela música cafona que eu detesto, mas que me emociona, porque me lembra alguém que me fez bem e depois me pôs na lona.
Fazer o quê?
A gente cospe no prato que come, pra depois querer comer no prato que cuspiu.
A vida continua e eu agora tô a mil!
Agora eu sou mais eu!
Você que eu não vou ser.
Mas pra ter liberdade de verdade eu aprendi a desaprender o que só me prendia.
A mente é livre, livre mente, a gente é livre, Deus me livre dessa rebeldia que fala e não diz nada.
Ouvi dizer que a vida recomeça a cada dia e aprendi essa piada.
Depois talvez esqueça.
O mundo muda, tudo muda, todo mundo muda mas só mudo minha cabeça se for melhor pra mim (quando eu achar que é, e se eu tiver afim).
Amanhã não sei.
Bola de cristal nunca funcionou comigo porque eu não consigo fazer tudo sempre igual, a não ser que eu tente.
Só que eu nunca tento sempre invento um movimento cada vez mais diferente.
Não que eu só acerte, mas errar também faz parte em qualquer parte eu não vou ficar inerte, esperando a morte.
Não reclamo do azar porque o azar às vezes vem trazendo sorte.
Saúde! Vitamina C, pode crer, pode ser que o tempo mude...
Gabriel O Pensador
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Uma História de Amor Verdadeira.
Eu retornava pra casa, em um
dia muito frio quando tropecei em uma carteira. Procurei por algum meio de
identificar o dono. Mas a carteira só continha três dólares e uma carta
amassada, que parecia ter ficado ali por muitos anos.
No envelope, muito sujo, a única coisa legível era o
endereço do remetente. Comecei a ler a carta tentando achar alguma dica. Então
eu vi o cabeçalho. A carta tinha sido escrita quase sessenta anos atrás. Tinha
sido escrita com uma bonita letra feminina em azul claro sobre um papel de
carta com uma flor ao canto esquerdo. A carta dizia que sua mãe a havia
proibido de se encontrar com Michael, mas ela escrevia a carta para dizer que
sempre o amaria. Assinado Hannah.
Era uma carta bonita, mas não
havia nenhum modo, com exceção do nome Michael, de identificar o dono. Entrei
em contato com a Cia. telefônica, expliquei o problema ao operador e lhe pedi o
número do telefone no endereço que havia no envelope. O operador disse que
havia um telefone, mas não poderia me dar o número. Por sua própria sugestão,
entrou em contato com o número, explicou a situação e fez uma conexão daquele
telefone comigo. Eu perguntei à senhora do outro lado, se ela conhecia alguém
chamada Hannah.
Ela ofegou e respondeu:
- “Oh! Nós compramos esta casa de uma família que tinha
uma filha chamada Hannah. Mas isto foi há 30 anos!”.
- "E você saberia onde aquela família pode ser
localizada agora?” Eu perguntei.
- "Do que me lembro, aquela Hannah teve que colocar
sua mãe em um asilo alguns anos atrás", disse a mulher. "Talvez se
você entrar em contato eles possam informar".
Ela me deu o nome do asilo e eu liguei. Eles me contaram
que a velha senhora tinha falecido alguns anos atrás, mas eles tinham um número
de telefone onde acreditavam que a filha poderia estar vivendo. Eu lhes
agradeci e telefonei. A mulher que respondeu explicou que aquela Hannah estava
morando agora em um asilo. A coisa toda começa a parecer estúpida, pensei
comigo mesmo. Pra que estava fazendo aquele movimento todo só para achar o dono
de uma carteira que tinha apenas três dólares e uma carta com quase 60 anos?
Apesar disto, liguei para o asilo no qual era suposto que
Hannah estava vivendo e o homem que atendeu me falou:
- “Sim, a Hannah está morando conosco”.
Embora já passasse das 10 da noite, eu perguntei se
poderia ir para vê-la.
- "Bem", ele disse hesitante, "se você
quiser se arriscar, ela poderá estar na sala assistindo a televisão".
Eu agradeci e corri para o asilo. A enfermeira noturna e
um guarda me cumprimentaram à porta. Fomos até o terceiro andar. Na sala, a
enfermeira me apresentou a Hannah. Era uma doçura, cabelo prateado com um
sorriso calmo e um brilho no olhar. Lhe falei sobre a carteira e mostrei a
carta. Assim que viu o papel de carta com aquela pequena flor à esquerda, ela
respirou fundo e disse:
- "Esta carta foi o último contato que tive com
Michael".
Ela pausou um momento em pensamento e então disse
suavemente:
- "Eu o amei muito. Mas na ocasião eu tinha só 16
anos e minha mãe achava que eu era muito jovem. Oh, ele era tão bonito.Ele se
parecia com Sean Connery, o ator".
- "Sim," ela continuou.
"Michael Goldstein era uma pessoa maravilhosa. Se
você o achar, lhe fale que eu penso frequentemente nele. E", ela hesitou
por um momento, e quase mordendo o lábio, "lhe fale que eu ainda o amo. Você
sabe", ela disse sorrindo com lágrimas que começaram a rolar em seus olhos.
"eu nunca me casei. Eu jamais encontrei alguém que
correspondesse ao Michael..."
Eu agradeci a Hannah e disse adeus. Quando passava pela
porta da saída, o guarda perguntou:
- "A velha senhora pode lhe ajudar?”.
- "Pelo menos agora eu tenho um sobrenome. Mas eu
acho que vou deixar isto para depois. Eu passei quase o dia inteiro tentando
achar o dono desta carteira".
Quando o guarda viu a carteira, ele disse,
- "Ei, espere um minuto! Isto é a carteira do Sr.
Goldstein. Eu a reconheceria em qualquer lugar. Ele está sempre perdendo a
carteira. Eu devo tê-la achado pelos corredores ao menos três vezes".
- "Quem é Sr. Goldstein?" Eu perguntei com
minha mão começando a tremer.
- "Ele é um dos idosos do 8º andar. Isso é a carteira
de Mike Goldstein sem dúvida. Ele deve ter perdido em um de seus
passeios".
Agradeci o guarda e corri ao escritório da enfermeira. Lhe
falei sobre o que o guarda tinha dito. Nós voltamos para o elevador e subimos. No
oitavo andar, a enfermeira disse:
- "Acho que ele ainda está acordado. Ele gosta de
ler à noite. Ele é um homem bem velho”.
Fomos até o único quarto que ainda tinha luz e havia um homem
lendo um livro. A enfermeira foi até ele e perguntou se ele tinha perdido a
carteira. Sr. Goldstein olhou com surpresa, pondo a mão no bolso de trás e
disse:
- "Oh, está perdida!"
- "Este amável cavalheiro achou uma carteira e nós
queremos saber se é sua?"
Entreguei a carteira ao Sr. Goldstein, ele sorriu com
alívio e disse,
- "Sim, é minha! Devo ter derrubado hoje à tarde. Eu
quero lhe dar uma recompensa".
- "Não, obrigado", eu disse. "Mas eu tenho
que lhe contar algo. Eu li a carta na esperança de descobrir o dono da
carteira".
O sorriso em seu rosto desapareceu de repente.
- "Você leu a carta?"
-"Não só li, como eu acho que sei onde a Hannah
está". Ele ficou pálido de repente.
- "Hannah? Você sabe onde ela está? Como ela está? É
ainda tão bonita quanto era? Por favor, por favor, me fale", ele implorou.
- "Ela está bem... É bonita da mesma maneira como
quando você a conheceu". Eu disse suavemente.
O homem sorriu e perguntou:
- "Você pode me falar onde ela está? Quero chamá-la
amanhã”.
Ele agarrou minha mão e disse,
"Eu estava tão apaixonado por aquela menina que
quando aquela carta chegou, minha vida literalmente terminou. Eu nunca me
casei. Eu sempre a amei."
- "Sr. Goldstein", eu disse, "Venha
comigo".
Fomos de elevador até o terceiro andar. Atravessamos o
corredor até a sala onde Hannah estava assistindo televisão. A enfermeira
caminhou até ela, "Hannah" ela disse suavemente, enquanto apontava para
Michael que estava esperando comigo na entrada. "Você conhece este
homem?"
Ela ajeitou os óculos, olhou um momento, mas não disse
uma palavra. Michael disse suavemente, quase em um sussurro, - "Hannah, é
o Michael. Lembra-se de mim?"
- "Michael! Eu não acredito nisto! Michael! É você!
Meu Michael!"
Ele caminhou lentamente até ela e se abraçaram.
A enfermeira e eu partimos com lágrimas rolando em nossas
faces.
- "Veja", eu disse. "Veja como o bom Deus
trabalha! Se tem que ser, será!".
Aproximadamente três semanas depois eu recebi uma chamada
do asilo em meu escritório.
-"Você pode vir no domingo para assistir a um
casamento? O Michael e Hannah vão se amarrar"!
Foi um casamento bonito, com todas as pessoas do asilo
devidamente vestidos para a celebração. Hannah usou um vestido bege claro e
bonito. Michael usou um terno azul escuro. O hospital lhes deu o próprio quarto
e se você sempre quis ver uma noiva com 76 anos e um noivo com 79 anos agindo
como dois adolescentes, você tinha que ver este par. Um final perfeito para um
caso de amor que tinha durado quase 60 anos...
AMOR OU AMIZADE? OS DOIS.
No finalzinho da entrevista
que Pedro Bial deu à Marília Gabriela, quando foi questionado sobre
relacionamentos, ele deu uma lição que serve para todo mundo: trate seu amor
como você trata seu melhor amigo. Sei que isso parece falta de romantismo, mas
é o conselho mais certeiro.
Não era você que estava a fim
de uma relação serena e plenamente satisfatória? Taí o caminho. Vamos tentar
elucidar como isso se dá na prática. Comecemos pelo exemplo que o próprio Bial
deu: você foi convidado para o casamento de uma prima distante que mora onde
Judas perdeu as botas, você tem que ir porque ela chamou você pra padrinho.
Como é que os casais costumam combinar isso?
"Não tem como escapar,
você vai comigo e pronto". Ou seja, um põe o outro no programa de índio e
nem quer saber de conversa. É assim que você convidaria seu melhor amigo? Não.
Você diria: "Putz, tenho uma roubada pela frente que você não imagina. Me
dá uma força, vem comigo, ao menos a gente dá umas risadas...".
Ficou bem mais simpático, não
ficou? Como esta, tem milhões de situações chatas que você pode aliviar, apenas
moderando o tom das palavras.
Pro seu marido: "Você
nunca repara em mim, não deu pra notar que cortei o cabelo? Será que sou
invisível?" Mas pra sua melhor amiga: "Ai, pelo visto meu cabelo
ficou medonho e você está me poupando, né? Pode dizer a verdade, eu
aguento".
Pra sua mulher: "Você já
se deu conta da podridão que está este sofá? Não dá pra ver que está na hora de
trocar o tecido?" Mas pra sua melhor amiga: "Deixa a pizza por minha
conta, eu pago, assim você economiza pra lavar o sofá. A não ser que este seja
um novo estilo de decoração...”.
Risos + risos+ risos.
Maneire. Trate seu amor como
todas as pessoas que você adora e que não são seus parentes. Trate com o mesmo
humor que você trata seu melhor amigo, sua melhor amiga. Até porque, caso você
não tenha percebido, é exatamente isso que eles são.
"Grandes Realizações são possíveis quando se dá
importância aos pequenos começos"
Martha Medeiros
AMOR DE VERDADE (Leia!)
Martin era um sapateiro em uma
vila pequena. Desde que morreu a esposa e os filhos, ele se tornou triste. Um
dia, um homem sábio lhe falou que ele deveria ler os evangelhos porque lá ele
descobriria como Deus gostaria que ele vivesse. Martin passou a ler os
evangelhos. Certo dia leu a narrativa do evangelho de Lucas do banquete em casa
do rico fariseu que recebeu Jesus em sua casa, mas não providenciou água para
os pés, nem ungiu a cabeça de Jesus, nem o beijou. Naquela noite, Martin foi
dormir pensando em como ele receberia Jesus, se ele viesse a sua casa. De
repente, acordou sobressaltado com uma voz que lhe dizia:
"- Martin! Olha para a rua
amanhã, pois eu virei."
Logo cedo, o sapateiro acendeu
o fogo e preparou sua sopa de repolho e seu mingau. Começou a trabalhar e se
sentou junto à janela para melhor ver a rua. Pensando na noite da véspera, mais
olhava a rua do que trabalhava. Passou um porteiro de casa, um carregador de
água. Depois uma mulher com sapatos de camponesa, com um bebê ao colo. Ela
estava vestida com roupas pobres, leves e velhas. Segurando o bebê junto ao
corpo, buscava protegê-lo do vento frio que soprava forte. Martin convidou-a a
entrar e lhe serviu sopa. Enquanto comia, ela contou sua vida. Seu marido era
soldado. Estava longe há oito meses. Ela já vendera tudo o que tinha e acabara
de empenhar seu xale. Martin buscou um casaco grosso e pesado e envolveu a
mulher e o filho. Depois de alimentados e agasalhados, eles se foram, não sem
antes Martin deixar na mão da pobre mãe umas moedas para que ela pudesse tirar
o xale do penhor. Quando um velho que trabalhava na rua, limpando a neve da
frente das casas, parou para descansar, encostado à parede da sua oficina e
lar, Martin o convidou a entrar. Serviu-lhe chá quente e lhe falou da sua
espera. Ele aguardava Jesus. O velho homem foi embora, reconfortado no corpo e
na alma e Martin voltou a costurar uma botina. O dia acabou. E quando ele não
podia mais ver para passar a agulha pelos furos do couro, juntou suas ferramentas,
varreu o chão e colocou o lampião sobre a mesa. Buscou o Evangelho e o abriu.
Então, ouvindo passos, ele olhou em volta. Uma voz sussurrou:
"-Martin, você não me
conhece?"
"-Quem é?",
perguntou o sapateiro.
"-Sou eu" disse a
voz. E num canto da sala, apareceu a mulher com o bebê ao colo. Ela sorriu o
bebê também e então desapareceram.
"-Sou eu" tornou a
falar a voz. Em outro canto apareceu o velho homem. Sorriu. E desapareceu.
A alma de Martin se alegrou.
Ele começou a ler o evangelho onde estava aberto:
"Porque tive fome, e me
destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era hóspede, e me
recolhestes." No fim da página, ele leu: "quantas vezes vós fizestes
isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim é que o fizestes”.
E Martin compreendeu que o
Cristo tinha ido a ele naquele dia, e que ele o recebera bem.
AMAR BONITO
Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca
tenha parado para pensar:
Aprendam a fazer bonito seu amor.
Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito.
Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito.
Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender...
Tenho visto muito amor por aí.
Amores mesmo: bravios, gigantescos, descomunais,
profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva.
Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos.
Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com
carinho, cuidado e atenção.
Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Aí, esses amores que são verdadeiros, eternos e
descomunais, de repente se percebem ameaçados e tão somente porque não sabem
ser bonitos: cobram, exigem, rotinizam, descuidam, reclamam, deixam de
compreender, necessitam mais do que oferecem, precisam mais do que atendem,
enchem-se de razões.
Sim, de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor.
Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de
reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que
está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter
razão.
Nem queira!!!
Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor, pois é
invocado com justiça, mas na hora errada.
Amar bonito é saber a hora de ter razão.
Ponha a mão na consciência. Você tem certeza de que está
fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do
olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro a maior beleza
possível?
Talvez não.
Cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas
aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse
pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode
trazer.
Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de
amar bonito.
Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.
E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito.
Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião
alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você
ama.
Saia cantando e olhe alegre.
Recomenda-se: encabulamentos, ser pego em flagrante
gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com
teorizações, adiar sempre se possível com beijos 'aquela conversa importante
que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção
recebida.
Para quem ama, toda atenção é sempre pouca.
Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a
atenção possível.
Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a
que deixou de ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres
escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de
brinquedos dos nossos sonhos); não teorize sobre o amor, ame.
Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como:
a sinceridade, abrir o coração, contar a verdade do tamanho do amor que sente;
não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito).
Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes,
espertezas, atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas
você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede
de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.
Falando besteiras, mas criando sempre.
Gaguejando flores.
Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.
Revivendo os caminhos que intuiu em criança.
Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.
Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo
que você é.
Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto.
Não se preocupe mais com ele e suas definições.
Cuide agora da forma do amor:
Cuide da voz.
Cuide da fala.
Cuide do cuidado.
Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só
assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.
Artur da Távola
A DÁDIVA DO AMOR
Se você
conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali
do seu lado...
Se você achar a
pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de
dedo e cabelos emaranhados...
Se você não
consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado
para a noite...
Se você não
consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a
certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que
vai continuar sendo louco por ela...
Se você
preferir morrer, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua
vida.
É uma dádiva.
Muitas pessoas
apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor
verdadeiro.
Ou às vezes
encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer
verdadeiramente.
É o
livre-arbítrio.
Por isso, preste
atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para
a melhor coisa da vida: o amor.
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